sábado, 7 de janeiro de 2017

É mais uma ou menos uma rodada? Depende... até que um dia ...

por Lindeberg Ventura


É mais uma ou menos uma rodada? Depende... até que um dia ...

A passagem do ano nada mais é do que um padrão, a normatização de um ciclo da Terra ao redor do Sol. É o homem querendo organizar um perfil de modo que possa estudá-lo, entendê-lo como fez Kepler, Copérnico, Galileu, Newton e muitos outros. Muito embora possa formar padrões, uma referência para estudar o fenômeno ou marcar ciclos, ele ainda fica à mercê da natureza, do acaso, e que, apesar dos augúrios benfazejos, em um determinado ponto do ciclo o indivíduo encerra sua história. 

A padronização do ciclo da Terra ao redor do Sol deixa margem para registro das vivências de um povo, deixa rastro de sua existência. Das experiências ficam-se os aprendizados, ou digamos, um parâmetro de referência para julgarmos se elas são boas ou ruins. O aprendizado se dá por experiências e todas elas são essenciais para que possamos nos apoiar e sabermos em que rumo deveremos apontar, qual caminhos é menos penoso, ou mais alegre, de modo a podermos continuar.

Para cada rodada, ou ciclo, considerando o tempo de vida humana, conta-se para menos ou para mais, depende do ponto vista de cada um. Seja qual for o ângulo escolhido como padrão chegaremos a um instante no qual não contaremos mais. Esse é o fim do nosso ciclo de experiência humana. Ela (a Terra) irá continuar, quer estejamos aqui vivos ou não. Cada ciclo vai deixando pelo caminho os corpos inanimados; o passado do que já foi, o presente daquilo que já não é mais. Em cada instante, nascimento e morte. Cada ciclo um tempo especifico, padronizado, que usamos para contar a passagem do ano e assim marcarmos a quantidade de ciclos de nossa existência. É esse tempo, juntamente com o contar dos nossos dias, no qual tentamos prolongar, e muitas vezes, aplainar as angústias que sentimos ante o prazo de vencimento, que travamos sérias brigas. O medo do fim nos traz diversas atitudes psicofísicas, somatizadas no dia a dia. Alguns mais espertos perceberam isso e utilizam-se deste prognóstico para se servir, da melhor forma possível. 

Pois bem, o que fazermos com os dias que nos restam dos ciclos? Litigar com o tempo? Tentar parar o Sol, como fez Josué (10:13-14)? Aliás, naquela época (de Josué) acreditava-se que era o Sol que girava em torno da Terra. Para melhor entendermos, fazendo os consertos para o nosso século: tentarmos parar a Terra, impedir que a mesma faça seu ciclo natural? Qualquer atitude que tomemos, embora acho difícil tentar refrear o ciclo da Terra em torno do Sol, a Mãe Natureza não irá guardar ressentimentos; até porque, o sofrimento ou a felicidade é seu, as ações são suas e as experiências também. O que devemos, e isto é possível, é aprender a lidar com o acaso. Há diversas técnicas (tai chi, yoga, meditação, oração etc.), que não vão ser detalhadas aqui, nas quais são capazes de amenizar a sensação de desconforto ante a presença do acaso. 

O ciclo padronizado nos margeia num espaço de tempo quase sempre aquém do ciclo natural. Em cada ciclo padronizado tendemos a reforçá-lo com enfeites, ou artifício, que realimenta-se do medo e cria a esperança, espécie de energia que nos mantém impelidos para frente. 

A despeito da força da esperança, nada é páreo para o acaso (alguns têm como desordem; ou podemos chamar também de Caos – deus grego da desordem. Outros autores dizem que até no acaso – ou caos - há ordem). Neste, a consumação de todos os planejamentos poderá ou não ocorrer. Vale lembrar, o planejamento (tornar plano) não conversa com o acaso. A esperança, em cada ciclo, não garante a planificação de seus desejos; às vezes, o fato passa longe do planejado e da meta esperada. Isto não significa que não podemos planejar, esta é a maneira mais prática e organizada de manter você em um rumo, muito embora este rumo, a qualquer momento, possa ser alterado. Devemos sempre lembrar da frase de Dwigh Eisenhower, que foi o trigésimo quarto presidente dos Estados Unidos, “Antes da batalha, o planejamento é tudo. Assim que começa o tiroteio, os planos são inúteis.”

Algumas religiões dizem que devemos viver na esperança, outras dizem que não há um porto seguro onde possamos ancorar o navio. Tradições espirituais, em destaque algumas tradições asiáticas, pregam, há muito, o que somente agora a ciência vem destacando sobre as incertezas dos eventos, como por exemplo, estudos sobre proporções variáveis, a imprevisibilidade, o desconhecimento de certos fatores envolvidos no fenômeno estudado. 

A consciência das incertezas dos fenômenos nos aprimora. Aprendemos a ter poucas esperanças, a não se entregar totalmente a algo que é incerto, que não depende somente de nós. Acredito que se fizermos as pazes entre a mente, o tempo e o acaso, sofreremos menos; assim falam os grandes mestres espirituais, e a ciência também.

A despeito das várias conjecturas, as quais alimentam-nos na caminhada via ao ponto final, vamos acompanhando, com nosso padrão terráqueo, o ciclo da Terra em torno do Sol, contando dia a dia, hora a hora, minuto a minuto, os dias nos quais irão nos levar a mais uma rodada completa... até que num belo dia ...


"Nessa estrada não nos cabe conhecer ou ver o que virá.
O fim dela ninguém sabe bem ao certo onde vai dar.
Vamos todos numa linda passarela
De uma aquarela que um dia, enfim, descolorirá."

(Toquinho)

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Você é um IDIOTA ou UM POLÍTICO?


Você é um IDIOTA ou UM POLÍTICO?

Existe um termo em grego que caracterizava o sujeito que não gosta de se envolver com as coisas da sociedade. Este nome é IDIÓTES (aquele que só vive a vida privada, que recusa a política, que diz não a política). Este termo é o contrário de POLI (em grego: cidade, sociedade) que se relaciona com CIVITATE (em latim) (cidade). Assim, IDIÓTES é o avesso de POLÍTICO (em Latim) que significa cidadão (atua na sociedade).

sábado, 10 de setembro de 2016

A arte e a virtude de ter paciência.

  
por Lindeberg Ventura

Quão bela é a arte da paciência. Contudo, não são todos que a praticam. No dicionário Houaiss significa a capacidade para suportar dificuldades, calma para aguentar algo que demora. Mas, ter paciência é mesma coisa que ser paciente? Já ouvi pessoas dizerem: “... esse cara é muito paciente...”. Bem, então vamos lá...A palavra “paciente” é também relativo a aquele que tem paciência (capacidade para suportar), todavia também significa indivíduo doente (indivíduo sob tratamento médico), em latim é patientis (aquele que suporta). Neste caso, há semelhança singular entre uma palavra e a outra. Ou seja, são a mesma, em seu contexto particular.

  Sem embargo, o que vem ao caso aqui é: a paciência é uma arte e uma virtude? Luc de Clapiers dizia que paciência é a arte da espera. Já ouvi falarem, em sermões cristãos, que a virtude vem de Deus, é emanada do Espirito Santo. Creio que a virtude veio da humanidade e que pode ser ensinada pela prática, mais do que pela teoria. Ela vem desde Aristóteles e vem como uma espécie de disposição em fazer o bem. Spinoza dizia que virtude e poder são semelhantes. Sponville afirma ser uma força que age ou que pode agir e ainda afirma que a virtude de um ser é o seu valor.

  Ora, para podermos praticar a paciência devemos então ter alguém que necessite receber, estar disposto a, nas ideias de Aristóteles. Tem que haver alguém que sofre para que eu possa praticar. Assim, nas ideias aristotélicas, isto não seria uma tolerância? Sponville afirma que “Tolerar é aceitar o que poderia ser condenado, é deixar fazer o que se poderia impedir ou combater”. O mesmo autor destacava: “A tolerância só vale contra si mesmo, e a favor de outrem”. Nesta afirmação, a tolerância é sempre uma batalha que travamos conosco. Portanto, devemos ter paciência quando toleramos. Vale salientar que a tolerância não poderá ser infinita, pois se assim o fosse estaria perdida (sem rumo conceitual) e entraria no campo da intolerância. Tem que haver o controle consciente e racional para se ter paciência e tolerar. Daí também a justificativa de ser uma arte. 

  A despeito de muitas teorias e conceitos que permeiam tais palavras (paciência, tolerância e arte), a meu ver, a paciência é uma virtude em que necessita-se, também, da tolerância, para que seja uma arte. E para ser arte tem que haver o controle consciente e racional do praticante, criando habilidade e disposição a fim de executar a prática da virtude.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Não tem receita e ainda debocha



Segundo alguns pensadores, AS INCERTEZAS são as únicas certezas do processo da vida.
A VIDA SEMPRE SERÁ MARCADA por decepções do que por, e tão somente, júbilos. Sabendo disso, fica mais fácil dar a cara pra bater. Encarar a realidade de frente. Qualquer caminho escolhido terá suas tristezas e alegrias. A vida não dá moleza. Não há receita para a felicidade. O mundo debocha de nossas fórmulas. A complexidade da vida tira sarro da nossa cara.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

A nossa egrégia Cobal é um furdunço só.



por Lindeberg Ventura de Sousa

A nossa egrégia Cobal é um furdunço só.


Manhã de sábado, temperatura amena na cidade, pássaros entoam suas notas musicais sobre árvores, telhados e postes. Um murmúrio de uma leve brisa faz as árvores acenarem para o dia que está pra nascer. A cor negra do céu dá sinal de que ainda passariam alguns minutos para que o sol mostrasse a sua face brilhante no horizonte.  Nesse ínterim, gatos e cachorros, preocupados em se alimentarem esquecem as rixas e vão em busca de restos de alimentos em sacolas abandonadas. Os marchantes, verdureiros, mascates, além dos outros trabalhadores (encarregados de transportar as mercadorias para os boxes) se preparam para receberem em poucos minutos os frequentadores da Companhia Brasileira de Alimentos (criada no Brasil por João Goulart em 1962), sendo que depois passou a se chamar Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Aqui em Mossoró é costume as pessoas chamarem ainda de Cobal (Companhia Brasileira de Alimento), que atualmente, nesta cidade, o nome é Central de Abastecimento Prefeito Raimundo Soares.

Na Cobal o zunzunzum de pessoas e motores abafam qualquer sussurros do dia que nasce. Carros, motos, carroças e bicicletas entram e saem do recinto trazendo e levando frutas, carnes, ovos, cereais, entre outras coisas. Diversas pessoas vindos de outras cidades estacionam os caminhões e caminhonetas, abarrotados de produtos para abastecer os pontos de vendas. Do lado de dentro do recinto (em um galpão coberto) trabalhadores levam pedaços maiores das carnes de gado, bode ou carneiro nas costas ou em carrinhos manuais de cargas; algumas destas carnes estavam congeladas – de cores escuras, possivelmente carnes de outros dias, trazidas em sacolas plásticas grandes.  No entanto, a maior parte delas são frescas que acabavam de chegar da matança (abatedouro), haja vista um pequeno fio de sangue de cor intensa (sangue vivo) que escorria dos corpos dos animais abatidos. Os marchantes as recebiam e organizavam cada um em seus respectivos espaços no balcão ou pendurados na frente do boxe, próximo as demais carnes.



Em um recinto, adjacentes aos vendedores de carnes, do lado de fora da cobertura de alvenaria, todavia dentro da área comercial e em barracas metálicas, os verdureiros organizam em seus espaços os produtos que irão a venda. Alguns jogam água sobre o molho de coentro, sobre o alface, a rúcula, e o brócolis; outros, refazem os molhos de cheiro verde e coentros e, outros ainda, organizam as hortaliças em caixotes abertos apoiados em uma armação metálica. Alguns verdureiros debulham as escassas vagens de feijões enquanto que outros colocam os feijões em sacolas plásticas que logo em seguida serão pesada e padronizadas com massa de 1kg, cada. 


Vizinho as barracas cobertas ficam outros feirantes que organizam seus produtos em locais improvisados em área aberta sem proteções de telas ou telhados, nos espaços improvisados são montados caixotes vazios nos quais colocam-se uns sobre os outros deixando-os na altura de uma mesa, outros utilizam os caixotes para organizarem legumes e frutas para servirem de amostras, ou ainda, usam os caixotes para sentarem. Nestes espaços improvisados as movimentações dos feirantes e compradores são bem maiores, apesar de mais menor os espaços para andar, em comparação a outros recintos da área comercial padronizados, pois os espaços improvisados permitiam maior tráfego de pessoas devido a organização aleatória dos postos de venda.

Em outra parte, tipo um salão grande com divisória de alvenaria estão grupos de feirantes varrendo e organizando seus espaços. Neste salão há também as pequenas lanchonetes onde são servidos alimentos. É aqui, nas lanchonetes, que algumas pessoas preferem desfrutar do café da manhã a tal da panelada. Jovens, adultos e idosos frequentam o local para um café reforçado cuja receita compreende, entre outras coisas bucho, tripa, nervo de boi, mocotó e muito mais. Nas áreas adjacentes ao salão, pelo lado de fora, protegidos em pequenas barracas estão os peixeiros que trazem em recipientes de isopor as variedades da chamada carne branca. Em seus postos, nos balcões, organizam os produtos por tipos e tamanhos.


Em meio a toda essa movimentação a hora avança, o sol já começa a despontar no horizonte e o dia começa a clarear. Os primeiros compradores aparecem trazendo consigo sacolas de tecido ou de palha, outros trazem carrinhos puxados a mão. Nos balcões onde estão as carnes eles testam o produto através do olhar, do cheiro e do tato, verificam o teor de gordura, ou seja, se a carne é gorda ou magra e a textura do produto; os marchantes ajudam apresentando seus produtos e oferecendo as partes melhores e mais preferidas dos clientes; galinhas caipira e frangos expostos em vários balcões, algumas vezes se misturando com outros tipos de carnes, são constantemente manuseados pelos clientes. Alguns procuram por miúdos de frango, outros preferem o frango inteiro, outros ainda pedem que retirem o pé e a cabeça. Em algumas bancadas, separada das demais carnes, estão o bucho, as tripas e o mocotó do boi.

É nessa algazarra de gente e som, em cujos espaços ecoam sons de serras cortando ossos e carnes, máquinas trituradoras em pleno funcionamento, batidas de facão partindo o bode e a cabra no sentido longitudinal e transversal, conversas entre grupos de pessoas, vendedores gritando as promoções, onde um comprador estava parado em uma banca olhando atento o açougueiro mostrar seu produto, uma carne que estava a venda num balcão sujo de sangue no qual as moscas sobre voavam o corpo do animal cortado em postas, só esperando os dois senhores saírem de perto para pousarem. – Veja só, é vinte (reais) o quilo - aponta o açougueiro para um grupo de carne do mesmo tipo - Esta aqui é da boa! (Leia-se com pouca gordura, macia, carne fresca). Vai querer? Na banca vizinha outro comprador observa atento o marchante colocar à vista o mocotó de boi, cupim, picanha e logo em seguida grita a promoção do produto.

Na feira diversos vendedores, avulsos, fazem propagandas de seus produtos:
 – Aqui é um real, aqui é um real – falava o vendedor de verduras.
– Atenção, atenção controle para TV e DVD, antenas para televisão e desentupidor de fogão, limpador de para-brisa, tesouras amoladas, pen drive, é comigo mesmo! – repetia incansavelmente o vendedor de bugigangas.
 - Meias e panos de prato em promoção... - Quer senhora, meias ou panos de pratos? - Veja só aqui estes panos de pratos, todos bordados. No mesmo local outro vendedor tentava convencer uma senhora a comprar o seu produto. Eram constantes estes sons de súplicas.

Tanto dentro do salão quanto nos locais onde estavam os açougueiros, ou ainda, nos locais onde ficam os vendedores avulsos os sons se cruzavam e muitas vezes eram indecifráveis, outras vezes entendíveis.
 – É três por um (real), é três por um (real) -  dizia o vendedor de mamão.
– Vem e confira o tamanho e o sabor desta fruta, é cinco real. Pode ver, é das grandes, pegue aí - dizia o vendedor de melancia com uma das frutas cortadas servindo de amostra.

Nas barracas metálicas diversos produtos, além das frutas e legumes, pendurados a amostra chamam a atenção dos transeuntes: vassouras, espanadores, rodos, cordas, roupas, chapéus, chinelos de couro, eram alguns destes produtos. Sobre a bancada metálica os clientes encontram também artesanatos, flores, mel, óleo de coco e até remédios caseiros em garrafa (a tal da garrafada, que era preparada com diversos tipos de cascas ou flores, como por exemplo, mastruz com leite, lambedor de hortelã-da-folha-larda, cascas de cajueiro, cascas da goiabeira, etc.) ou a base de chás como capim santo, cidreira, boldo, quebra-pedra, entre outros. Todos bem posicionados e a um palmo do cliente, para que os mesmos possam pegar, cheirar, e caso goste, comprar.

Em outra barraca, colado ao salão onde estavam os cereais, pelo lado de fora, estavam os peixeiros, com suas facas peixeiras amoladas tratando o seu produto de venda. – Como você quer o corte (ou seja, fatias), para cozinhar ou para fritar? – perguntava o peixeiro ao cliente. Na bancada era possível encontrar diversos tipos de peixes da Região Nordeste a tilápia , corvina, carapeba, cioba, cavala, atum, bonito, serra, agulha, ubarana, dourado, sardinha, espada, barracuda e muitos outros.

Na frente da Cobal estavam também outros feirantes com diversos produtos como ovos, panelas, carnes, brechó, frutas e legumes. Todos apresentando seus produtos de maneira criativa, ou simplesmente, calados à espera do comprador.

Nas lanchonetes, trabalhadores da Cobal e frequentadores que vinham fazer suas compras aglomeram-se em mesas espalhadas nos corredores. Cada qual procurando tomar o seu café matinal. Os pedidos variavam desde chá, café com leite (alguns chamavam de pingado), café, tapioca, pasteis e até panelada. Esta última, muito famosa aqui nesta região, é preparada com vísceras, condimentos e legumes. Muitas pessoas vêm de outras localidades só para degustar do preparado, principalmente em épocas de festejos na cidade como o Mossoró Cidade Junina (MCJ), a Festa da Liberdade (conhecido com os festejos do 30 de setembro), entre outros eventos.  A famosa panelada da Cobal, dizem, dá sustância e anima para enfrentar o dia a dia.

É assim que em todos os dias, como se fosse eternamente sábado, funciona a Cobal. Com toda algazarra, furdunço de sons audíveis misturados, entendíveis ou não, paradoxalmente organizados quando separados. É assim que uma parte da cidade se encontra, onde estes partilham das mesmas experiências de vida em plena dinamicidade,  muito embora absorvida na individualidade de cada um. É assim que em um pequeno espaço de uma cidade, grupos de pessoas contribuem com toda uma população, direta ou indiretamente, seja na alimentação, nas revendas dos produtos (no comercio), na lavoura, na pecuária, na saúde e na economia. A Cobal, como chamamos, tem sua importância garantida no seio da sociedade mossoroense, e que se espalha para fora da realidade desta. 

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

O que comer então?

por Lindeberg Ventura
O que comer então?

Hoje em dia já não é mais oportuno fazer alusão à comida colorida como garantia de boa alimentação. A quantidade de agrotóxicos, em alguns países, já são criminosamente detectados em frutas e legumes. 

Fonte: E esse tal meio ambiente?


Como aliviar, ou exterminar, a carga de agrotóxicos nos alimentos que ingerimos? Deixar de comer? Não. Este não é o caminho mais viável (mais seguro). Aliás, não é somente nos alimentos que os agrotóxicos estão presentes. Há presença deles no leite do gado, no leite materno (confira AQUI), nas águas (confira AQUI), etc. Diversas reportagens (links I) estão reafirmando os problemas nos quais há muito se destacavam em denúncias. Pesquisas já comprovaram (links II) que as medidas para combater as chamadas “pragas” utilizando-se de agrotóxicos não são bem-vindas para o organismo humano (link III). Um famoso livro, da década de 60, “Primavera Silenciosa” (dica de leitura, figura 1, abaixo), de Raquel Carson, foi uma das primeiras denúncias científicas sobre tais práticas. A autora faz um relato aprofundado sobre os perigos destas substâncias, seja para fins de combate aos insetos cujos efeitos se estendem para o meio ambiente (solo, rios, águas subterrâneas, etc.), seja para fins de combate as plantas daninhas. 

Na Europa e nos EUA as fiscalizações quanto ao uso das sustâncias, assim como, as importações de produtos alimentícios que tenham tido contanto com as mesmas, sofrem fiscalizações constantes. As leis são rigorosas e o público é consciente. Segundo consta na página do Conselho Científico para Agricultura Sustentável (veja AQUI), o Brasil também possui legislação rigorosa. Entretanto, seu público não é tão consciente assim. Convém destacar que o número de pessoas que trabalham nas fiscalizações do emprego dos agrotóxicos na agricultura nos EUA é bem maior quando comparado com a do Brasil (confira AQUI). Por este motivo, e outros aqui não discutidos, o Brasil é a “casa-da-mãe-joana”, onde qualquer empresa consegue burlar as leis e utilizar-se de artimanhas para aumentar as dosagens dos agrotóxicos, assim como, de usar produtos que foram proibidos em outros países (confira AQUI). Como aqui estes produtos não foram impedidos de serem usados na agricultura, as empresas têm livre acesso para manipulá-los. Mesmo que estejam cientificamente comprovados como perigosos ao organismos humano. 

É sabido da importância do uso destas substâncias, haja vista a necessidade do cultivo em larga escala. Contudo, se faz necessário que a legislação brasileira tenha mais apreço por tais danos à saúde do povo. Também é sabido da importância de que haja o cultivo dos produtos orgânicos a partir da agricultura familiar. 

Diversos grupos e entidades que lidam com o cultivo, sem o uso dos agrotóxicos, já se manifestam em todo o país. O exemplo disso é que aqui em Mossoró (RN) esta prática já existe. Neste início de mês podemos conferir uma destas mobilizações nas quais haverá palestras e venda destes produtos (figura 1). Também temos uma rede de agricultores da região que estão todos os sábados com produtos de agricultura familiar sendo vendidos ao lado do museu da cidade. O consumo de produtos orgânicos livres de agrotóxicos é o caminho mais sadio de mantermos nossa alimentação equilibrada com a certeza de que estamos no caminho certo, tanto na parte da saúde do corpo, quanto da parte da proteção ambiental, pois livramos o meio ambiente dos produtos nocivos.


Dica de Leitura:

Figura 2 - Dica de Leitura

                                Evento:

Figura 2 - Evento: agroecologia


Links I:
http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2015/04/brasil-lidera-consumo-de-agrotoxicos-no-mundo-e-inca-pede-reducao-do-uso.html

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2015/06/uso-de-agrotoxico-no-brasil-mais-que-dobrou-em-dez-anos-aponta-ibge.html

Links II:
http://www.redebrasilatual.com.br/economia/2015/06/agrotoxicos-e-transgenico-podem-ser-barreira-para-exportacao-para-europa-2886.html

http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Banana/BananaAmazonas/agrotoxicos.htm

http://150.165.111.246/ojs-patos/index.php/ACSA/article/viewFile/135/pdf

http://www.ecycle.com.br/component/content/article/35/1448-os-estragos-causados-pelo-uso-de-agrotoxicos-no-mundo.html

http://www.oeco.org.br/reportagens/25276-como-andam-os-agrotoxicos-no-brasil/

Links III:
http://cascavel.ufsm.br/revistas/ojs-2.2.2/index.php/revistadireito/article/view/8280/4993#.VgvSx_lViko

http://www.scielo.br/pdf/rbso/v32n116/08.pdf

https://portal.fiocruz.br/sites/portal.fiocruz.br/files/documentos/cap_01_veneno_ou_remedio.pdf

http://pratoslimpos.org.br/?tag=reavaliacao

domingo, 27 de setembro de 2015

Lavar roupa, também tem o que aprender.

por Lindeberg Ventura

Há alguns meses, uma conhecida minha falava sobre a poluição do Rio Mossoró. A mesma relatava que o centro da cidade, os bairros adjacentes e, até mesmo, longe das margens do rio (referindo-se as redes de esgotos) há intensa poluição das suas águas. 

Ela também falou que o rio já foi fonte de sustento para a população como a pesca, o banho e lavagem de roupas. 

Contou-me que as lavadeiras, constantemente, utilizavam as águas do rio. – Minha avó que me disse, pois ela também fazia isso - disse ela.   - Naquela época a água eram límpida, bem clarinha! – frisou. - Agora, - continuou - o rio está assim, malcuidado, abandonado. Ninguém ajuda a ele a se recuperar! - reclamou.

Com uma cara de quem se revolta com isso, “cuspindo” culpados, ela não conseguiu identificar o problema da poluição um pouco mais distante (no passado) do momento em que a mesma vivia. Assim que ela parou de falar eu disse, em tom de brincadeira (mas falando sério, só para não criar inimizades)

– A senhora sabia que a sua avó fez parte disso? - Aí ela perguntou, - de quê? - eu disse - da poluição -. E completei, na espera de seu entendimento do que estava oculto (ou ausente) em sua mente - não somente a sua avó, mas todas as lavadeiras. Claro, muitas delas (ou nenhuma) nem sabiam disso. Né verdade? - Ela, com um olhar assim meio que desconfortado disse-me, - pois né mesmo! -.


                                           Vídeo - Forró de Messias Holanda - "Mariá"


Esgoto da cidade que vai direto para o Rio Mossoró

Esgoto da cidade em direção ao Rio Mossoró

Zoom de uma das redes de esgotos

Ponte metálica sobre o Rio Mossoró

Visão do rio a partir da ponte metálica

Rio Mossoró - vista do centro da cidade