domingo, 16 de fevereiro de 2014

É possível viver sem mistério? (Marcelo Gleiser)

Marcelo Gleiser é professor de física e astronomia do Dartmouth college, em Hanover (EUA). Escreve para a Folha há algum tempo. Nesta coluna (link abaixo) o autor fala sobre o crescimento da visão ateísta, cita alguns autores renomados e fala um pouco sobre o tema.

Marcelo Gleiser é autor de diversos livros, entre os quais:
  • A Dança do Universo - Editora Companhia de Bolso 
  • O Fim da Terra e do Céu; O Apocalipse na Ciência e na Religião - Editora Cia. das Letras 
  • Micro Macro; Reflexões sobre o Homem, o Tempo e o Espaço - Publifolha – 2005 
  • Minhas Reflexões sobre o Homem, o Tempo e o Espaço - Publifolha – 2007 
  • Poeira das Estrelas - Editora Globo - 2006
É possível viver sem mistério?

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Universidade de Aveiro: “Um campus que pensa”.

Aqui na Universidade o respeito aos estudos é fundamental.

Estou alojado em um setor no qual ficam os apartamentos dos alunos. Sala pequena e confortável, com escrivaninha e uma lâmpada (abaju), um local para se deitar (necessário, claro!), uma janela que dá acesso visual a uma parte da universidade (foto abaixo).

No prédio onde ficam os apartamentos há aquecedores, um espaço (cozinha) para o lanche, banheiros (social) e uma TV (pouco usado pelos inquilinos). Neste local é perceptível, nas noites quando estou recolhido ao alojamento, o quanto se respeita o silêncio. Não se percebe sons de TV, rádios, ou celulares ligados. O silêncio é reinante neste ambiente; os alojamentos femininos e masculinos ficam no mesmo prédio, acessível por uma escada ou mesmo entre blocos contíguos. Entretanto, é cada qual nos seus quartos. Não há incômodos de gente conversando alto, sorrindo ou mesmo conversando sobre a vida do outro. Parece-me que a lei do silêncio aqui é seguida à risca. Em conversa, no refeitório, com um aluno (brasileiro) da pós-graduação desta instituição, perguntei sobre o porquê de tanto silêncio. O mesmo me respondeu que a lei do ‘evitar o barulho’, nas noites ou em horários de estudos, é exigida à risca. “Aqui”, disse ele, “se não for cumprido, você cai fora” (ipsi liter). Resumindo o que nosso colega falou em linguajar mais brasileiro ainda: “é cada um no seu quadrado”. O silêncio (sepulcral), muitas vezes, é quebrado pelo barulho da chuva ou do vento (mesmo que a noite seja sem chuva o silêncio é reinante). 

O que venho a destacar é o quanto se usa da tranqüilidade noturna, ou matutina e de leis rígidas do bom convívio (pelo menos nesta situação, acadêmica). Um ambiente aconchegante para estudos, aquecido e protegido do ambiente exterior (muito frio). Coisa que, em algumas instituições de ensino (em se falando de respeito para o momento do descanso e estudo), onde convivem alunos residentes no RN (pelo menos nos quais conheço) não se percebe isso.

Nos horários de atividades, na semana, as pessoas estão ocupadíssimas, parecem que todos estão atarefados e buscam manter tudo dentro dos prazos. Há grupos de alunos ou de professores conversando (ou mesmo de alunos e professores) em parte específica da universidade. Não sei informa o que cada um poderia estar parlamentando (como dizia Lampião, no país de Mossoró), mas, provavelmente – e já sabendo como eles se comportam no dia a dia desta instituição - é possível que não seja sobre futebol, ou sobre a cachaça do fim de semana, ou mesmos as orgias da noitada.

A Universidade de Aveiro (Portugal), localizada em uma cidade pacata (com pontos turísticos que dá gosto aos olhos de quem aprecia, local onde uma faixa de pedestre tem valor inestimável; e com um ambiente propício para estudos) deixa valer a frase na qual está registrada em um letreiro no bloco da reitoria: “Universidade de Aveiro, um campus que pensa”. O verbo “pensar” faz jus, a meu ver, a um ambiente propício para tal. Aqui o povo não perde tempo com excessivas conversas. Todos andam rápido (hora por conta da chuva, ou do frio, hora por querer contribuir para uma universidade pensante) e, me parece, que eles tentam “com unhas e dentes” fazer valer a frase aqui citada. A meu ver, talvez exista “encucado” (registrado na mente) em cada estudante desta Universidade um lema contínuo e forte dizendo assim: “Estamos dispostos a ensinar. E você, está disposto a aprender?”.

Eu, mesmo não ouvido este anuncio intermitente (porque não encontrei em mim esta forma de dedicação, talvez por não ter sido ‘cutucado’ da forma correta - ou mesmos estudado em uma instituição de cultura européia – que também não sei nem se todas têm esta visão de estudo - fico aqui com a orelha em pé (digo, com vontade perceptiva e receptiva) tentando captar esse som...

Aqui, para mim, é “o paraíso”... Acho que, quando morrer, vou pedir ao ‘Santo específico das causas particulares’ para que me deixe em Aveiro, principalmente alojado nos apartamentos (ou apertamentos) da Universidade de mesmo nome. Quanto a minha família, em Mossoró, tentarei contato com a senhora oportunidade: “a Capes”, para que faça um jeitinho (brasileiro) para que eles deem uma “voltinha” por aqui. Claro, eles terão que ser supervisores do PIBID de Química da UERN.

O texto também poderá ser lido AQUI com adaptações.

Fotos:

Apartamento

Apartamento

Letreiro no prédio da reitoria

Reitoria

Parte da Universidade de Aveiro

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Uma copa muito cara para nossos bolsos.

Enquanto, na boca e na mente de boa parte dos brasileiros, se fala na Copa de 2014 o governo deixa de investir dinheiro na saúde e na educação. Um mar de dinheiro público vai para o ralo.

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