sábado, 15 de julho de 2017

Dicas de Aristóteles para quem busca a felicidade

Dicas de Aristóteles para quem busca a felicidade

Aristóteles (384-322 a.C.) nasceu em Estagira, na Grécia setentrional, cidade grega sob o domínio macedônico. Seu pai era médico do rei da Macedônia, Amyntas, pai de Felipe. Foi discípulo de Platão, todavia, não seguiu as ideias do professor. Fundou sua própria escola denominada de Liceu em homenagem a Apolo – irmão de Athena – divindade que presidia a música, a harmonia, a saúde e a verdade.

Aristóteles teceu algumas ideias sobre a felicidade. Considerava que este sentimento é a finalidade das ações humanas e que neste caminho deveriam ser observado três modos de vida: a vida guiada pelo prazer, a vida política e a vida contemplativa. 

No texto “ Revolução da Alma”, escrita em 360 a.C., o filosofo apresenta alguns tópicos sobre a vida contemplativa.

Ninguém é dono da sua felicidade, por isso não entregue sua alegria, sua paz, sua vida nas mãos de ninguém, absolutamente ninguém. Somos livres, não pertencemos a ninguém e não podemos querer ser donos dos desejos, da vontade ou dos sonhos de quem quer que seja. Se você anda repetindo muito "eu preciso tanto de você" ou, "você é a razão da minha vida", cuide-se. Remova essas palavras e principalmente a ação dessas palavras da sua vida, pois fazem muito mal ao seu "eu" interior. 

A razão da sua vida é você mesmo. A tua paz interior é a tua meta de vida. Pare de colocar sua felicidade cada dia mais distante de você. Não coloque objetivos longe demais de suas mãos, abrace os que estão ao seu alcance hoje. Pare de pensar mal de você mesmo, e seja seu melhor amigo sempre. 

Com um sorriso no rosto as pessoas terão as melhores impressões de você, e você estará afirmando para você mesmo, que está "pronto" para ser feliz. Trabalhe, trabalhe muito em seu favor. Pare de esperar a felicidade sem esforços. Pare de exigir das pessoas aquilo que nem você conquistou ainda.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

A mulher madura

A mulher madura
Por Affonso Romano de Sant’ Anna

O rosto da mulher madura entrou na moldura de meus olhos. De repente, a surpreendo num banco olhando de soslaio, aguardando sua vez no balcão. Outras vezes ela passa por mim na rua entre os camelôs. Vezes outras a entrevejo no espelho de uma joalheria.

A mulher madura, com seu rosto denso esculpido como o de uma atriz grega, tem qualquer coisa de Melina Mercouri ou de Anouke Aimé. Há uma serenidade nos seus gestos, longe dos desperdícios da adolescência, quando se esbanjam pernas, braços e bocas ruidosamente.

A adolescente não sabe ainda os limites de seu corpo e vai florescendo estabanada. É como um nadador principiante, faz muito barulho, joga muita água para os lados. Enfim, desborda.

A mulher madura nada no tempo e flui com a serenidade de um peixe. O silêncio em torno de seus gestos tem algo do repouso da garça sobre o lago. Seu olhar sobre os objetos não é de gula ou de concupiscência. Seus olhos não violam as coisas, mas as envolvem ternamente.

Sabem a distância entre seu corpo e o mundo. A mulher madura é assim: tem algo de orquídea que brota exclusiva de um tronco, inteira. Não é um canteiro de margaridas jovens tagarelando nas manhãs.

A adolescente, com o brilho de seus cabelos, com essa irradiação que vem dos dentes e dos olhos, nos extasia. Mas a mulher madura tem um som de adágio em suas formas. E até no gozo ela soa com a profundidade de um violoncelo e a sutileza de um oboé sobre a campina do leito.

A boca da mulher madura tem uma indizível sabedoria. Ela chorou na madrugada e abriu-se em opaco espanto. Ela conheceu a traição e ela mesma saiu sozinha para se deixar invadir pela dimensão de outros corpos. Por isto as suas mãos são líricas no drama e repõem no seu corpo um aprendizado da macia paina de setembro e abril.

O corpo da mulher madura é um corpo que já tem história. Inscrições se fizeram em sua superfície. Seu corpo não é como na adolescência uma pura e agreste possibilidade. Ela conhece seus mecanismos, apalpa suas mensagens, decodifica as ameaças numa intimidade respeitosa.

Sei que falo de uma certa mulher madura localizada numa classe social, e os mais politizados têm que ter condescendência e me entender. A maturidade também vem à mulher pobre, mas vem com tal violência que o verde se perverte e sobre os casebres e corpos tudo se reveste de uma marrom tristeza.

Na verdade, talvez a mulher madura não se saiba assim inteira ante seu olho interior. Talvez a sua aura se inscreva melhor no olho exterior, que a maturidade é também algo que o outro nos confere, complementarmente.

Maturidade é essa coisa dupla: um jogo de espelhos revelador. Cada idade tem seu esplendor. É um equívoco pensá-lo apenas como um relâmpago de juventude, um brilho de raquetes e pernas sobre as praias do tempo.

Cada idade tem seu brilho e é preciso que cada um descubra o fulgor do próprio corpo.

A mulher madura está pronta para algo definitivo. Merece, por exemplo, sentar-se naquela praça de Siena à tarde acompanhando com o complacente olhar o voo das andorinhas e as crianças a brincar.

A mulher madura tem esse ar de que, enfim, está pronta para ir à Grécia. Descolou-se da superfície das coisas. Merece profundidades. Por isto, pode-se dizer que a mulher madura não ostenta jóias. As jóias brotaram de seu tronco, incorporaram-se naturalmente ao seu rosto, como se fossem prendas do tempo.

A mulher madura é um ser luminoso é repousante às quatro horas da tarde, quando as sereias se banham e saem discretamente perfumadas com seus filhos pelos parques do dia. Pena que seu marido não note, perdido que está nos escritórios e mesquinhas ações nos múltiplos mercados dos gestos.

Ele não sabe, mas deveria voltar para casa tão maduro quanto Yves Montand e Paul Newman, quando nos seus filmes. Sobretudo, o primeiro namorado ou o primeiro marido não sabem o que perderam em não esperá-la madurar.

Ali está uma mulher madura, mais que nunca pronta para quem a souber amar.


Affonso Romano de Sant´Anna é escritor, professor e cronista brasileiro

sábado, 1 de julho de 2017

Um cafezinho, por favor.


por Lindeberg Ventura

Café – originária da Etiópia - (a palavra “café” origina-se do árabe, Kahoua (excitante)), bebida saborosa que tem mais ou menos cinco mil anos de existência é, entre outras coisas, o azo para o bate-papo. O café, do fruto do cafeeiro (torrado e moído) em infusão de água quente, é apreciado em diversas partes do mundo. 

Várias pessoas, entre elas xeique, cientistas, filósofos etc. já dissertaram sobre a substância. O Emir (título equivalente a príncipe) Abd al-Qadir já dizia: “O Café é o ouro do homem comum e, como o ouro, traz a todo homem o sentimento de luxúria e nobreza. Onde é servido, há graça e esplendor, amizade e alegria.” Alexander King, cientista e pioneiro do movimento de desenvolvimento sustentável, relatou sobre a boa dose de café - "A necessidade básica do coração humano durante uma grande crise é uma boa xícara de café quente”. Immanuel Kant, considerado o principal filósofo da era moderna, registra assim: “A amizade é semelhante a um bom café; uma vez frio, não se aquece sem perder bastante do primeiro sabor”.

Seja lá como for o seu preparo (café expresso, café americano, café latte, cappuccino, café gourmet, entre outros.) é de gosto atrativo, é diurético, laxante, antioxidante e vasodilatador (alguns dizem que é também vasoconstritor). Considerado um dos produtos mais vendido no mundo. 

Por ser tão apreciado em diversas culturas o café já é considerado um companheiro em reuniões, em conversas informais, em rodinha de amigos para bate-papo, um relax no fim do expediente de trabalho, momento de descontração no emprego, companheiro da alimentação matinal, e, como já é de costume aqui no Brasil, antes ou após a sesta.

Outros momentos nos quais o cafezinho faz parte, e no qual aprecio bastante, são os cafezinhos nas cafeterias. Independentemente se tem ou não Barista, o cara que vai provocar seu paladar às diversas sensações gustativas mais apuradas possíveis, as cafeterias são sinônimos de experiências vividas, ou mesmo em formação, é quase mnemônicas. Nestes espaços, aos olhos e ouvidos mais atentos, apreciam-se uma pequeníssima parte da vida, desenrolando-se diante do dia; um pedacinho minúsculo do momento. 

Locais onde pessoas mais jovens alinham-se e somam-se as ideias dos mais velhos e vice-versa, onde há discussão sobre a sociedade e cultura pop, concatenação de ideias, nas quais buscam-se equilibrar boas informações com a sensação prazerosa de um bom papo entre amigos ou entre desconhecidos, um papo efusivo, sem alarde. As ideias mais radicais, o tomar partido, são alinhadas a grupos específicos. Cada qual aconchega-se como pode, em busca do seu grupo de discussão. Há, nestes ambientes, os que não se misturam. Ficam na dele, apreciando o seu próprio café. Estes, são passageiros que descem na estação mais próxima, às vezes nem voltam. Os outros, os que ficam mais tempo, são fregueses de longas viagens.

Agora pense bem, se café em cafeteria traz toda esta sensação gostosa da vida, imagine o café em livrarias (cafeteria em livraria), ambiente preparado para sentar, prazerosamente, e poder ler as sinopse dos livros, ou ler parte de um livro e entrar no mundo astral. A magia neste ambiente é avassaladora. Se você for leitor (ou leitora) faça esta experiência, vá em um ambiente deste tipo e deixe sua mente percorrer as páginas dos livros, e ao seu lado, a boa companhia de uma xícara de café. O aroma, combinado com a leitura, produz uma sensação de viagem para dentro do livro ao qual está lendo. Deixa-me explicar melhor: se você estiver lendo livros de literatura fantástica, Nárnia, por exemplo, você sentirá como se estivesse atravessando aquele portal do tempo, entrando em um mundo encantado. Você sabe bem o que estou falando, não é mesmo? Embora não tenha lido este livro já deve ter assistido ao filme. Pois bem, Honoré de Balzac, um grande escritor francês, não me deixa mentir: "Quando nós bebemos café, as ideias marcham como um exército". Na mesma linha de pensamento encontramos Sydney Smith, escritor inglês: "Se você quer melhorar sua compreensão, beba café; é a bebida inteligente”.

Pois então... o tempo, em uma livraria que tem cafeteria, é diferente do mundo lá de fora, da vida cotidiana. É como se estivesse em ambiente particular de leitura, no templo literário particular, lendo o livro preferido. A percepção do tempo é outra. Doces regozijos permeiam a mente e o corpo. As sensações são tão intensas que prefere-se não sair mais daquele ambiente e nem parar a leitura.

É claro que as cafeterias e as livrarias, que têm espaços para cafés, não são somente para leitores ou degustadores de cafés, são também ambiente para trabalho e distração. Lá você poderá desfrutar de momentos relaxantes e, neste relax, trabalhar. Ou mesmo, como já citado aqui, desfrutar de um bom papo-cabeça.

Agora curta isso!
Algumas das melhores canções sobre café; e mais abaixo, documentários sobre: "Os Filhos do Café" e "O café - História e Penetração no Brasil"

NACIONAIS

     Marisa Monte

    Jorge Bem Jor

    Cotidiano - Chico Buarque (original, 1984)

    Pato Fu - Depois (John Ulhoa)


INTERNACIONAIS

    Everlast - Black Coffee

    Black Coffee In Bed

    Humble Pie - Steve Marriott - Black Coffee


DOCUMENTÁRIOS

                                          Filhos do Café Parte 1 -MIS Ribeirão Preto


                                          O café - História e Penetração no Brasil